

Este é um tema que sempre me apaixonou. Desde muito pequeno, talvez com apenas uns oito anos de idade, tive a minha primeira experiência com armas.
Já não me lembro bem como tudo começou, mas sei que foi com uma simples pressão de ar no quintal da casa dos meus pais, que, pintando um alvo num papel e pregando-o numa tábua de madeira que tudo se iniciou.
Sem saber bem como se afinava a mira, muitos chumbos gastei até que por fim, após ter gasto não sei quantas latas , lá dei com aquilo. Ainda hoje sinto o cheiro do fumo que saía do cano da arma.
Tempos depois, no Colégio onde estudava, com aquelas trocas e baldrocas que se faziam, consegui trocar com um amigo uns quantos livros de banda desenhada por uma "flober" já velha lembro-me bem que sempre que disparava , a pólvora dos cartuchos me saltava para as pestanas queimando-as. Sorte tive em não me ter rebentado na cara antes de a despachar a um vizinho meu que me disse que conhecia alguém que a conseguia arranjar.
Uns anitos depois lá consegui que o meu pai me desse autorização para poder levar a sua caçadeira e ai começaram as aventuras nunca esquecidas de uns tempos vividos intensamente, porque tudo era uma enorme aventura.
Saía ainda noite de casa da qual não tinha conseguido pregar olho com receio de não acordar a horas, passava-a a olhar as estrelas e a andar de um lado para o outro do quarto a ver os minutos e as horas passarem muito devagar. Finalmente, chegado o momento pegava na minha bicicleta, numa bucha, cartucheira e caçadeira ao ombro, lá ia eu atravessando a cidade com as luzes ainda acessas e só começava a clarear depois de passar pelas últimas casas da cidade.
Nos dias com sorte lá conseguia trazer, um coelhito, uma perdiz, umas rolitas, coitados dos bichos, que desprevenidos se deixavam aproximar.
Claro que a minha paixão pelas armas nunca mais teve fim.
Mais tarde comprei a minha própria caçadeira, encomendada por catálogo da fábrica, (que luxo), depois as 22 longo, (tive várias), a 365 magnum, etc.,etc.
Bem, tudo isto para dizer que de todo este iniciar adveio o meu gosto pelo tiro aos pratos, aos pombos (pouco), porque me custava muito vê-los matar , pelos torneios de tiro e tiro com armas de guerra, que adorava participar.
Fiz parte de um grupo de amigos em que não faltavamos a nenhum torneio de tiro onde quer que ele se realizasse e traziamos sempre para casa os dois ou terceiros prémios com armas de guerra. Bons tempos de camaradagem, que nos uniu a tal ponto que mais tarde nos metemos numa aventura da qual, um dia talvez venha a contar, pois extensa é ela.