

Na sequência à minha postagem anterior, quero reportar apenas aqui mais uma peripécia sobre as minhas buscas de peças raras e de colecção em Angola.
De uma das inúmeras idas em sua busca por terrenos intransitáveis por qualquer pessoa, que tivesse o mínimo amor pela sua viatura, mas no forte desejo de encontrar algo que valesse a pena adquirir, eis-me chegado a um Kimbo, já não me lembro exactamente do seu local, acompanhado pela minha mulher e meus filhos.
Chegados ao local e depois de conversar com a autoridade , o "SOBA", enquanto esperávamos que se reunisse a população local, vi que não muito longe onde nos encontrávamos estavam umas crianças a jogar a uma espécie de "Malha", tentando acertar nuns pausitos com uns objectos metálicos, os meus filhos foram logo para lá e eu, por curiosidade também fui. Constatei pelo seu brilho, que um dos rapazes atirava algo que me chamou a atenção, acerquei-me e pedi-lhe para ver o que ele tinha na mão. Qual o meu espanto verifico que se tratava de uma medalha bonita em prata, comemorativa de uma feira agrícola realizada na cidade de Luanda em 1923. Perguntei-lhe onde a tinha conseguido e ele disse-me que a tinha encontrado no mato, claro que não acreditei e tentei logo ali ver se ele estava interessado em vender. Respondeu-me que não, mas depois de várias insistências e dos outros rapazes o incitarem a vender lá chegamos a um acordo e consegui comprar.
Chegados a casa, tive o cuidado de a limpar bem, porque havia partes que pela oxidação da prata já não se conseguiam ver e foi assim que consegui a minha primeira medalha, que muita estima tenho não só por ser a primeira mas pela sua história e que conseguiu cá chegar depois de muitas peripécias passadas.
Ficará para um dos meus filhos, um dia, para se lembrarem dos bons momentos passados por terras de África, que de certo não esquecerão.
2 comentários:
Neste silêncio vivo a saudade: ao mesmo tempo volta-se o tempo no infinito mais profundo da minha infância...
sabes que me lembro daqueles sacos cheios de moedas que transportava-mos no carro para servir de troca...
Lembro-me bem, sair cedo e chegar de noite depois de muitos quilómetros feitos ao longo do dia...
Continua pois é com agrado que te vejo escrever "tipo diário", aqueles momentos que tanto desejavas compartilhar,ao sabor desse sentimento dos dias vividos com intensidade...
Bjo e xi-coração
Lembranças de uma infância cheia de liberdade e emoções!O espírito de coleccionador de meu pai era contagiante e foi o grande impulsionador de grandes aventuras em terras de África.
Na minha memória está a emoção de percorrermos as picadas de carro, o calor da savana, a imagem de minha mãe com um lenço no cabelo ao lado do piloto e aventureiro, meu pai; eu e o meu irmão no banco de trás, observadores e apreensivos com o que nos esperava! Era sempre uma grande emoção chegar a um kimbo, principalmente se era Domingo.Eu vibrava sempre com as celebrações rituais com batuques e danças. Era mais forte do que eu e lá corria para a roda,onde era sempre bem vinda,dançar ao som dos batuques!O "Xingange",o feiticeiro da tribo era uma figura cheia de mistério que me encantava!
Lembro-me de um soba, um homem mais velho, sentado à porta da sua cubata a enxotar as moscas com um olhar sereno e cheio de sabedoria.Nunca me esquecerei dessas crianças felizes e bem alimentadas que tão bem nos acolhiam,e nos faziam sentir em casa.É verdade que me recordo de ver a minha mãe a ser apreciada pelas mulheres vestidas com panos coloridos, ornamentadas com missangas e penteados artísticos. A mãe trazia sempre na carteira algo para lhes oferecer e que muito as agradava. Não lembro o que era...
Exaustos, o nosso dia terminava em casa na esperança de se repetir outra aventura igual e certos de que algures, em África, tal como nós, outras crianças, mulheres e homens adormeceram com o sabor da solidariedade e da paz.
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